martes, 25 de abril de 2017

Jardín / Jardim



Mirarte es abrir las puertas del jardín,
del mágico jardín que tú riegas:
lirios de sueños,
lirios de luna.

Mirarte es naufragar en tus ojos,
naufragar en tu bahía
y descubrir los sublimes encantos
de tu jardín de coral.

*       *       *

Te olhar é abrir as portas do jardim,
do mágico jardim que tu regas:
lírios de sonhos,
lírios de luar.

Te olhar é naufragar nos teus olhos,
naufragar na tua baía
e descobrir os sublimes encantos
do teu jardim de coral!!

J. Martín

Noite enluarada



Quando a noite está enluarada
sentem ciúmes as estrelas,
dessa lua cheia e redonda
porque elas são mais pequenas.

Mas são ciumes infundados
que a lua não quis provocar;
ela busca ao seu amado
com a luz do seu luar.

Talvez ele ele ande perdido
sob a folhagem dos campos,
por isso ela pede ajuda
ao povo dos pirilampos.

Todos procuram o noivo,
buscam até a madrugada
mas ninguém sabe que ele
fugiu com a nova amada:

Uma estrelinha bonita
que tem brincos de coral
e ilumina os olhos dele
com seu brilho sideral.

J.Martín

coração insubmisso



Na redonda lua de prata
Encerrei meu coração;
É insubmisso e me maltrata   
Com a sua doida paixão.

Quero que ele fique quieto
Para que ande sem cuidados,
Bem comportado e discreto
E com sonhos sossegados.

Mas desconfio muito dele
Porque é travesso e gaiato, 
E algum diabinho lhe impele
A ser assim, tão ingrato.

Só quer saber de poesia
E gosta muito de amar,
Temo que fuja algum dia
Pelas ondas do luar.

J. Martín

sábado, 22 de abril de 2017

Café gostoso




Quando menino tinha uma amiguinha.
Uma vizinha, por vezes, nos convidava para tomar um café.
Ficávamos ambos sozinhos, na cozinha, com o café recém-feito,
tão gostoso!!
Então imaginávamos que aquele era o nosso lar e que vivíamos juntinhos, unidos por um grande do amor.

J. Martín

Depois da morte



Que haverá depois da morte?
Que jardim desconhecido?
Que saudades dum passado
Num outro tempo vivido?

Viverá nossa memoria?
Poderemos recordar
Os instantes amorosos
Duma tarde frente ao mar?

Almas sem corpo seremos,
Libertas pelos espaços,
Sem sentirem o calor
Dos beijos e dos abraços?

Passamos, todos passamos,
De lá nada conhecemos,
Vamos para um outro mundo.
Talvez nos encontraremos!!

J. Martín

Soñé



Soñé despierto
mientras las lagrimas corrían.
Soné que mi madre no murió cuando nací.

Soñé con el hogar familiar bendecido por su existencia,
con el inmenso amor que nos profesábamos.

Soñé con un canto eterno de su presencia,
con una fragancia infinita,
con un hogar que nunca se perdió.

En fin, soñé con una vida que no existió.

Y arrepentido de todo el dolor que haya causado
me refugio en mi sueño.

J. Martín

Declaración / Vela acesa



Que me amabas, tu dijiste,
y no supe contestar,
pues suspenso en mi soñar
tu sentimiento vertiste.

Sentir que es tan delicado,
y de tan alto valor,
de los sueños, el mejor
con que Dios nos ha obsequiado.

El querer es misterioso,
el alma nunca lo acalla
y donde quiera que vaya
surge un astro luminoso.

Pobre poeta olvidado
que no declara su amor,
negando tal esplendor
queda el alma en el pasado.

*        *        *

Que me amavas, tu disseste,
E não suobe contestar,
Pois suspenso em meu sonhar
Teu sentimento verteste.

Sentimento delicado,
E do mais alto valor!
Dos presentes, o melhor
Que Deus nos há reservado!

Amar é tão misterioso;
Coisa que a alma não cala;
É essa flor que sempre exala
Seu perfume esplendoroso.

Pobre poeta exilado
Que a sua paixão não confessa,
Fica com a vela acesa
Dum estranho e triste fado.

J. Martín

Outono



O outono dourando vai
As folhas da minha vida,
Como a rosa que se esvai,
Tão amada, tão querida.

Toda a flor da mocidade
Pela aragem arrastada
Vibra inteira na saudade
Duma paisagem sonhada.

É pois um fato evidente
Que tudo vai desabar,
Até o coração que sente
Um grande amor palpitar.

Palpite pois o coitado,
Seja quarta ou quinta-feira...
Antes de que dite o fado
A sentença derradeira.

J. Martín

jueves, 20 de abril de 2017

Sonho



Ontem à noite sonhei
com este amor tão real;
em seu louvor cantarei
por um mágico rosal,

por um espaço encantado
onde poder evocar
quando estavas ao meu lado
nesse tão divino azar

de imaginar-te comigo
nesse jardim que eu bendigo
onde floresce a paixão,

onde cantam passarinhos,
namorando, nos seus ninhos;
onde vibra o coração!!

J. Martín

Café



Cuando era niño tenía una amiguita.

Una vecina, a veces, nos invitaba por la tardes a su casa a tomar café.

Solía dejarnos solos en la cocina y nos dejaba el café recién hecho, en una cafetera.

Entonces imaginábamos que aquel era nuestro hogar, en el que vivíamos juntos, unidos por un amoroso lazo.

J. Martín

Jardim da alegria



Houve um tempo sem saudades
Na varanda de um jardim;
Eu era amigo da Lua,
Ela olhava para mim.

Houve um tempo sem a idade
Que agora passa e altera
A ilusão que o sonho sonha
Duma eterna primavera.

Houve um lindo amanhecer,
Houve uma noite encantada,
Um mundo que julguei meu…
Disso não fica mais nada.

Fica apenas o jardim
Duma suspensa alegria
Quando por amor floresce
Alguma humilde poesia.

J. Martin

miércoles, 19 de abril de 2017

Tus palabras / Tuas palavras




Tus palabras me llegan tan profundo,
Vestidas de pasión, de tal encanto,
Que barren mi pesar, mi desencanto,
Que son lo más hermoso de este mundo.

Oírte que me amas me estremece,
Me llena de esperanza, de alegría,
Pues sólo imaginar que serás mía
Inunda el yermo erial, que reverdece.

Tu amor ya no me deja ni dormir,
Tus ojos conquistaron mi soñar;
Volando está mi alma y mi sentir,

Diviso hasta los astros y hasta el mar;
¡Sin ti ya no sabré lo que es vivir!,
¡Sin ti ya no sabré lo que es amar!

*        *        *        *

Tuas palavras chegaram tão profundo,
Ornadas de paixão, de tanto encanto,
Que matam meu pesar, meu desencanto,
Que são o mais prezado deste mundo!

Ouvir-te que me amas me estremece
Com esse grande amor que se adivinha,
E só imaginar que serás minha
Inunda o meu deserto, que floresce.

Sonhar-te não me deixa nem dormir,
Teus olhos conquistaram meu sonhar,
Voando fica a alma e o sentir,

Navego pelo espaço e pelo mar;
Sem ti não saberei o que é viver!
Sem ti não saberei o que é amar!

J. Martín

Passarinho namorado




Ouço um lindo canarinho
Que canta na sua prisão;
Na gaiola, coitadinho,
Ele chora a sua paixão;

Com certeza porque clama
Pela amada canarinha
À quem ele muito ama,
E também, presa e sozinha.

Ele não pode fugir
Nem da prisão nem do fado
De nunca poder sentir
O calor do ser amado.

Mas a sua voz é tão bela,
Tão sentido o que ele canta,
Que mesmo desde a sua cela
Vibra o céu na sua garganta.

J. Martín

viernes, 14 de abril de 2017

Coração inconfidente



Uma amada realidade
Noutro tempo aconteceu,
Milagre duma outra idade
Que infelizmente morreu.

Daqueles tempos de outrora
Que fugiram e não voltam,
Ficam saudades agora
Que ao coração não confortam;

Ele nada quer saber
De prazeres doutros tempos,
Nem de saudades, morrer,
Nem viver doutros momentos.

Ele quer Amar, Amar,
E devastar a distancia
Que separa o largo mar
Da sua querida fragrância:

Desse perfume que mora
Nalguma rosa infinita,
Dessa tão bela e sonora
Canção da perpétua dita!!

J. Martín

Amor desejado



Esta saudade de ti,
este universo infinito,
este meu imenso grito
que chora dento de mim!!

O mais sublime prazer
mora no meu coração
quando floresce a ilusão,
a esperança de te ver.

Esplendor que se adivinha
no seu máximo esplendor
quando essa vermelha flor
do teu beijo seja minha.

Depois daquele momento
beijarei teu corpo todo,
pregostando desse modo
do mais alto firmamento.

Submergido em teus encantos,
perdidos noutras esferas,
ouviremos doutras eras
os mais sedutores cantos!!

J. Martín

jueves, 6 de abril de 2017

Amor sonhado


O beijo que tu mandaste
foi voando pelo ar;
até os meus lábios chegaste
com encantos de luar.

Só de mirar-te, tão bela,
sinto a mais grande paixão;
esquecido na tua estrela,
tomado o meu coração.

O meu amor vai crescendo
enquanto passam os dias,
as tristezas vão morrendo
e nascem as alegrías.

Nos meus sonhos eu consigo
atravessar os espaços,
para encontrar-me contigo
e prender-te nos meus braços

J. Martín

Canção


Quando tudo está perdido,
o lar de outrora e a fé,
aquele jardim florido
banido pela maré;

fica tão dentro, tão minha,
tão fundo no coração,
esta saudade que aninha
numa perdida canção:

essa que vai pelo vento
numa esperança que mora
num oculto firmamento,
nalgum recanto de aurora.

Canção que jamais termina,
por entre os astros navega,
miragem que me cativa,
que apenas sonhos me lega.

J. Martín

Ocurrió cierta vez


Normalmente
me quedaban asignaturas para septiembre.

Recuerdo que nos sentábamos en verano,
mi padre y yo,
en la terraza de un bar que había a la orilla del parque,
y allí, mientras nos tomábamos una cerveza o un refresco,
repasaba mis lecciones.

Cierto curso me quedaron cuatro asignaturas
y tuve que ir a una academia durante el verano.

Mi compañero de pupitre
era bastante malo en matemáticas y yo lo ayudaba.

Entre clase y clase hablábamos de cualquier cosa.
Le dije que me gustaba mucho una chica
que se llamaba Maruja.
Él me contó que era su hermana.

Siempre que podía lo acompañaba a su casa,
a echarle una mano con las matemáticas
y a ver si podía ganarme el corazón de Maruja.

El caso es que no dio resultado.
Era demasiado joven o demasiado tímido.
Tal vez ella no sentía lo mismo por mí
o también era demasiado tímida.

De aquel amor quedó la añoranza
de un sueño irrealizado. 

Ahora, al evocar, a veces me brotan las lágrimas.
Ahora ya sí que estoy irrealizado,
y de aquellos días apenas queda un perfume
que vuelve y vuelve...

J. Martín