viernes, 3 de marzo de 2017

Fumaça



Fumaça dessa aurora que eu senti,
fumaça que se esvai por esses montes;
daqueles rubros tempos que eu vivi,
fumaça pelos vastos horizontes.

Fumaça que ficou do acontecido,
fumaça que solapa o meu pesar,
fumaça que é miragem do vivido,
daquilo que não pode mais voltar.

Fumaça que afinal o tempo leva
levando os meus suspiros pelo ar,
que oculta dos meus olhos tanta treva
e dança no meu triste despertar.

J. Martín

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