viernes, 31 de marzo de 2017

Amar com o pensamento




Amar com o pensamento,
te olhar sem dizer mais nada,
com a consciência embriagada
de tão sublime tormento.

Esta corrente de agora
não é mais pena de ausência,
mas a querida existência
da minha amada captora.

Preso assim quero ficar,
dos beijos da tua boca, 
desse arrepio que provoca
a gloria do teu olhar.

Que importa que chegue o fim,
que o meu coração desabe,
se antes de que tudo acabe
vives já dentro de mim!!

*        *        *        *

Amar con el pensamiento,
mirarte sin decir nada,
con la conciencia embriagada
de tan sublime tormento.

Estas cadenas de ahora
no son de pena y ausencia,
sino la amada existencia
de mi querida captora.

Preso así quiero quedar,
de los besos de tu boca,
de ese temblor que provoca
la gloria de tu mirar.

¡Qué importa morir así,
que vaya a pique mi nave,
si antes de que todo acabe
vives ya dentro de mí!

J. Martín

jueves, 30 de marzo de 2017

Neste pôr do sol





Neste pôr do sol
meu bem vai chegando;
por ela minh'alma
vive suspirando.

Neste pôr do sol
meu bem já passou,
passou a alegria
que nunca voltou.

Saudoso eu tornei
ao mesmo lugar
por se alguma vez
voltasse a passar.

Ela não voltou,
nem aqueles dias,
plenos de luar,
cheios de alegrias.

*        *        *

Por la calle al sol
mi Amor es quien viene,
negros son sus ojos
negro pelo tiene.

Por la calle al sol
mi Amor ya pasó,
pasó la alegría
que jamás volvió.

Ansioso volví
al mismo lugar,
por si alguna vez
volviera a pasar.

Ella no volvió,
tampoco los días
llenos de su luz,
plenos de alegrías.

J. Martín

miércoles, 29 de marzo de 2017

Amor imaginado






Viver na irrealidade de te amar,
Assim, neste prazer imaginado;
Sabendo-me cativo desse fado
Que boia pelas ondas do luar:

Te busco nos meus sonhos, pelo mar,
Te busco no futuro e no passado,
Te busco por um céu imaculado
E num maravilhoso e doce lar.

São águas que lá vão por este rio
Os sonhos que gerou minha ilusão;
Regando elas estão pela ribeira

As flores já molhadas da paixão,
Os lábios da tua boca que se abriu
Aos beijos deste amor, desta fogueira!!

J. Martín

sábado, 25 de marzo de 2017

Existem momentos





Existem momentos
de imensa poesia,
gratos firmamentos,
nuvens de alegria.

Por vezes na vida
a paixão triunfou
e n'alma esquecida
a dita morou.

Pode ser que agora
um subtil encanto
alente o amor,

e a rosa que aflora
se faça portanto
a mais bela flor.

*        *        *

Existen momentos
de inmensa poesía,
gratos firmamentos,
nubes de alegría.

A veces, callada,
la pasión triunfó
y el alma olvidada
la dicha gozó.

Puede ser que ahora
un sutil encanto
aliente el amor.

La rosa que aflora
se haga por tanto
la más bella flor.

J. Martín

viernes, 24 de marzo de 2017

Carta, poema e canção






Recebi do meu Amor
uma carta perfumada;
ambas têm cheiro de flor,
a carta e a minha amada.

Determino responder
com um poema rendido,
porque um amor como o seu
jamais o tinha vivido.

Logo me replica ela
com una linda canção,
tão adorável e bela
que toma o meu coração.

E assim tão apaixonado
fico a escrever novamente,
não fica o lápis parado
daquele que muito sente:

Não existe bem maior
nem anelo mais querido
que sonhar com teu amor,
que imaginar-te comigo.

J. Martín

Nada morre






Esse meu passado ainda não morreu,
todas as lembranças ficaram ao léu,

qual uma canção que vai pelo vento
do fugaz encanto e do sentimento,

qual se fossem notas dum hino imortal
quando já as saudades não são mais punhal,

quando os tempos todos são da mesma essência
de eterno mistério, de muda eloquência.

J. Martín

Breves






A terra
aguarda amorosa
o beijo da chuva

Essa música imortal
me arrasta
mesmo sem me mover

Te imaginar é ver
toda a beleza
dos sonhos. 

Não digas nada,
sente comigo
como te desejo.

Da-me a tua mão
enquanto miro o teu perfil,
quero morrer assim!

J. Martín

miércoles, 22 de marzo de 2017

Viagem






Num afastado planeta
Há de morar meu legado:
Esse da dita incompleta
E do caminho truncado.

Para que serve pensar
Em imaginadas vidas
Se quando o vento soprar
Ficam todas esquecidas?

Vou pois então navegar
Até outro mundo distante,
Para poder encontrar
O teu querido semblante:

Esse de alma encantada
Que meu coração anela,
Essa visão tão sonhada
Que mora na minha estrela!

J. Martín

martes, 21 de marzo de 2017

Se verdade fosse






Ai, ai, se verdade fosse
que àquelas folhas caídas
o encanto dos meus versos
as tornasse verdecidas!

Ai, ai, se verdade fosse
que o tempo é pura ilusão,
que todo amor é possível
quando fala o coração!

Ai, ai, se verdade fosse
que do sonho brote a flor,
das estrelas, as palavras,
e de te olhar, este amor!

* * * *

¡Ay, ay, si fuera verdad
que a aquellas hojas caídas
el encanto de mis versos
las tornase verdecidas!

¡Ay, ay, si fuera verdad
que el tiempo es pura ilusión,
que todo amor es posible
si lo dicta el corazón!

¡Ay, ay, si fuera verdad
que la flor brote del sueño,
y embrujo, de las estrellas,
para amarte con empeño!

J. Martín

domingo, 19 de marzo de 2017

Bairro das minhas lembranças






Ó bairro das minhas lembranças,
que foi de mim, que foi de ti!
Aqui ficam as ruas, ficam as casas,
e a cor do céu que eu dantes sempre vi.

A cor feliz daquele lar primeiro
enchendo meus momentos de alegria,
e aquele amor sonhado e verdadeiro
pela bela mocinha que eu queria.

Ficando tudo aquilo tão distante
a barca do meu sonho naufragou,
e a luz daquela estrela cintilante
o vento das desgraças apagou.

Meu bairro fica aqui, com a lembrança,
dele faz muito tempo que parti,
e fica na saudade esta fragrância 
daquele mundo amado que perdi.

J. Martín

viernes, 17 de marzo de 2017

Cego de nascença






Ele é cego de nascença,
este Amor que já me invade,
por vezes desejo ardente,
por vezes pura saudade.

Ele está dentro de mim,
dançando na noite escura;
ele não precisa ver,
ele é luz, ele é tortura.

O seu fado misterioso
leva meu sonho, minh'alma,
por um mar embravecido,
por um lago em noite calma.

Anseio de entrar em ti,
alma elevada na altura,
olhos absortos de gozo,
vento de imensa ternura.

Ele é cego de nascença
e fere com a poesia,
colocou luz nos teus olhos
sem saber que eu morreria.

J. Martín

Ante o retrato da minha mãe






Não há estrelas em todos os firmamentos
como os dentes da tua boca,
brancos entre o sorriso dos teus lábios.

Não há luar tão profundo
como a luz dos dos teus benditos olhos
nem ondas tão altivas
como as dos teus sagrados cabelos.

E essas brancas mãos,
feitas para o meu sustento e alegria,
que aguardam por toda a eternidade!

J. Martín

martes, 14 de marzo de 2017

Amor impossível






Quero te amar e não posso;
adoro a palavra tua,
o teu olhar infinito
que tem compassos de Lua.

Quisera dizer “te amo”,
más é impossível fazê-lo,
ficam mudas as palavras
e frustrado o seu anelo.

Morro por beijar tua boca,
teus lábios cor de carmim,
por me perder nos teus olhos,
e por te amar até o fim.

Mas é só meu pensamento
quem vai sempre trás de ti,
por entre os mágicos sonhos
dum livro que nunca li.

Assim sem saber mais nada,
esta paixão tão sentida
vibra nas cordas da alma,
na canção da minha vida.

J. Martín

sábado, 11 de marzo de 2017

Sonhei com o lar perdido


De noite e iluminada é como eu via
Com profusão a sala que sonhei,
Aquela em que feliz eu me sentia,
Aquela do meu lar que tanto amei.

Sonhei com esse lar que tive outrora
Composto de paredes e de portas,
Janelas ao poente e para a aurora
E aquelas ilusões que julguei mortas.

Assim que abandonando o que fazia,
Correndo ao velho lar foi que parti,
Mas antes de chegar eu pressentia

Que já ninguém morava mais ali:
A sala familiar está vazia!!
A sala desse lar que eu já perdi!!

J. Martín

Brillan en medio del mar



Brillan en medio del mar
recuerdos del lar querido,
de aquel mundo tan perdido
que no puede regresar.
No quisiera más quedar
prisionero del pasado,
pues mucho me ha torturado
tanto como he sublimado
en el altar de la ausencia
la imaginada existencia
de otro más benigno hado.

J. Martín

viernes, 10 de marzo de 2017

Pensando en ti






Pensando en ti contemplo tus cabellos,
la gracia de sus ondas me fascina,
pues nunca imaginé fuesen tan bellos
y el fuego de pasión tan repentina.

Apenas pienso en ti hora tras hora,
la llama de este sueño hace que viva
mirando tu retrato sin demora,
quedándose mi alma tan cautiva.

El don de tu sonrisa me enamora,
mi canto resucita en tu mirar,
la estrella de este amor es vencedora
y brilla esplendorosa sobre el mar.

J. Martín

Brilham no seio do mar



Brilham no seio do mar
lembranças do lar querido,
daquele mundo perdido
que não pode mais voltar.
Não quisera mais ficar
prisioneiro do passado,
pois muito me há torturado
tanto como hei sublimado
no altar de tanta ausência
a possível existência
dum outro possível fado.

J. Martín

Pensando em ti



Pensando em ti contemplo os teus cabelos:
a graça do seu jeito me fascina
pois nunca imaginei fossem tão belos
e o fogo de paixão tão repentina.

Apenas penso em ti a toda hora,
a chama deste sonho faz que viva
olhando o teu retrato sem demora,
ficando a minha alma tão cativa.

A graça do teu riso me enamora,
meu canto ressuscita em teu olhar,
a estrela deste amor é vencedora
e brilha esplendorosa sobre o mar.

J. Martín

Folhas mortas



Folhas mortas.
São como lágrimas caindo
no outono.
Algumas, uma ilusão, uma saudade.
Outras: esta forma silenciosa
de te amar.

J. Martín

vento noturno



Este vento noturno
afaga o corpo e a alma,
bate no meu rosto o seu perfume
de chuva, de folhas, de erva;
bate na alma com renovada saudade.
Este vento é de paz e de esperança,
é frescor na noite de estio,
é a dita que se vislumbra na distância,
é o porto há tanto tempo deixado
e entre lágrimas ansiado.
Este vento é o começo e o fim duma viagem
por entre a luz e a cerração.
Este vento aviva a alma com o fogo do regresso
e o sonho da tua presença,
a despeito da dor,
da infinita dor da tua ausência.

J. Martín

domingo, 5 de marzo de 2017

Yo te amo






Yo te amo
con este amor dolorido,
con este miedo sangrante
de no ser correspondido.

Te amo como lo haría
el que perdió la razón:
aquél que el fuego de un sueño
prendió por su corazón.

Te amo con la locura
del que añora con vehemencia,
porque sufro atormentado
la falta de tu presencia.

Y te amo aunque el destino
mi ilusión haga pedazos,
y sólo conserve el sueño
de enlazarte entre mis brazos.

J. Martín

sábado, 4 de marzo de 2017

Eu te amo






Eu te amo
com este amor dolorido,
com este medo tão grande
de não ser correspondido.

Te amo com esse jeito
de quem perdeu a razão,
de quem o fogo dum sonho
arde no seu coração.

Te amo com a loucura
daquele que em nada pensa,
salvo na amada ilusão
da tua querida presença.

Te amo mesmo que a vida
este meu sonho me apague
e fique apenas de ele
uma constante saudade!!

J. Martín

Até esta longa praia chega o mar






Até esta longa praia chega o mar
repleto de saudades e lembranças, 
e as ondas executam velhas danças 
do tempo em que viver era gozar. 

Enquanto ando perdido a procurar 
as taças já bebidas de esperanças, 
evoco sem querer velhas andanças 
do tempo em que viver era sonhar. 

E a lua que sobre as águas já se abate
é o mais bem apurado simbolismo 
do eterno coração que sempre bate 

e eclipsa ao astro cego desta dor, 
para que atravessando o grande abismo 
retome assim da vida o seu dulçor.

J. Martín

viernes, 3 de marzo de 2017

Olhando o teu retrato





Olhando o teu retrato, oh meu Amor!
Sinto saudades do que nunca tive,
Qual ilusão fugaz que n'alma vive
E atravessasse o luto desta dor.

Da dor que tanto fere, tão inteira,
Deste degredo vil e permanente,
Onde a alma chora tanto porque sente
Que desta desventura é prisioneira.

Desventura daquele que perdeu
O seu legado rico e luminoso,
De anelos e de amores tão frondoso:
Seu mundo tão sonhado que morreu.

J. Martín

Fumaça



Fumaça dessa aurora que eu senti,
fumaça que se esvai por esses montes;
daqueles rubros tempos que eu vivi,
fumaça pelos vastos horizontes.

Fumaça que ficou do acontecido,
fumaça que solapa o meu pesar,
fumaça que é miragem do vivido,
daquilo que não pode mais voltar.

Fumaça que afinal o tempo leva
levando os meus suspiros pelo ar,
que oculta dos meus olhos tanta treva
e dança no meu triste despertar.

J. Martín

Mocidade



O vento da triunfante mocidade
ao sonho desta vida faz vibrar
com glória e com portento.
O gesto tão gentil daquela idade
encanta com poentes pelo mar,
liberta do pesar, do sofrimento,

e arrasta os mais furiosos vendavais
que avivam nossa dita,
para de novos mundos nos mostrar
as mágicas esferas celestiais
e a luz bendita
das ondas misteriosas do luar.

J. Martín