domingo, 26 de febrero de 2017

Memória




Uma linda melodia
perfuma com seu relato
este luar de saudades,
este tão velho retrato.

Uma canção que se ouve
pelo mar do sentimento,
como uma lágrima à toa
é levada pelo vento.

Uma forte tempestade
dentro do meu coração
levanta as ondas dormidas
duma perdida paixão.

Lá do fundo da memória
ascende um eco imortal,
daquela estrela vibrante...
deste destino fatal.


J. Martín

Bandido



Me encontrei com um bandido
que assaltava pela serra,
e fugido da sua terra
porque era perseguido.
Nunca tivera querido
exercer tal profissão
mas nublou a sua razão
o exemplo de um governo
que ao pobre manda ao inferno
e dignifica ao ladrão.


J. Martín

lunes, 20 de febrero de 2017

¿Qué siente el picaflor?




Mis anhelos ya pasaron,
las ilusiones también;
mas algo extraño sucede,
¿algo que vuelve a nacer?

La vida que imaginara,
la que en sueños pudo ser,
me persigue a todas horas
cual si fuera un perro fiel;

quiere dejar de ser sueño,
en la tierra florecer,
mas no sabe como hacerlo
y yo tampoco lo sé,

tampoco sé lo que siente
ese lindo picaflor,
si sueña con otra vida
o si es feliz o si no.


J. Martín (20-2-2017)

Santo no bordel



Olá a todos!

Sou uma talha em madeira
de São João Batista.

Foi a madama do bordel onde habito
quem me comprou na loja de antiguidades.

Cheguei ao meu novo lar
ataviado de parca vestimenta.

Apenas o imprescindível
para cobrir as minhas vergonhas
enquanto batizava lá no Jordão.

Uma das moças
fez para mim uma túnica de seda
bordada com fios dourados.

Presidindo o meu oratório
pareço o governador da Galileia.

Em minha honra as flores
renovam-se diariamente,
e as velas perfumadas.

Estas gratas senhoritas falam comigo
e me consideram o seu amigo e confidente.

Mas ai Senhor!
ando perdido entre nádegas tão brancas,
seios de ébano, coxas de bronze...

Que pena ser só de madeira!!

J. Martín (20-2-2017)

O que sente o beija-flor?




Meus anelos já passaram
e as ilusões também;
mas algo estranho sucede,
algo que volta a nascer?

A vida que imaginara,
a que em sonhos pude ter,
me persegue a toda hora
como o faz o cão fiel;

quer deixar de ser um sonho,
quer na terra florescer;
não sabe como fazê-lo,
como fazê-lo eu não sei,

também não sei o que sente
esse lindo beija-flor,
se ele anseia uma outra vida,
se ele é feliz ou se não?


J. Martín (20-2-2017)

jueves, 16 de febrero de 2017

cuidado ao travessar essas ruas



Um jovem houve uma vez
que pela sua Rosalinda
era capaz de morrer
pois era moça bem linda.

E pensando sempre nela
do mal de amor padecia,
pelo que moço, coitado,
de noite já nem dormia,

Assim de tanto velar
andava quase dormido,
e sem rumo pela rua
ia sempre distraído.

Aconteceu pois, então,
ao cruzar a rua do Conde,
que ele foi atropelado
sem remédio por um bonde.

Como o tal moço era crente,
educado e tão bonzinho,
foi pra o Céu diretamente,
sem demora, rapidinho.

Mas até no assento Etéreo,
onde ele mora,
sente saudades da amada
a toda hora.

*        *        *

Un joven hubo una vez
que por su amada Avelinda
era capaz de morir
pues era moza muy linda.

De tanto pensar en ella
mal de amores padecía.
Por su amor arrebatado
de noche ya ni dormía.

Así, de tanto velar,
andaba medio dormido,
y sin rumbo, por la calle,
iba siempre distraído.

A este pobre enamorado,
al cruzar por la Gran Vía
sin atención ni cuidado,
segó la vida un tranvía

Como el chico era creyente,
educado y aseadito,
subió al cielo facilmente,
sin demora, rapidito.

Mas la imagen de su amada
siempre aflora,
hasta en el Reino Celeste,
donde mora.

J. Martín (16-2-2017)

viernes, 10 de febrero de 2017

Uma linda melodia



Uma linda melodia
perfuma com seu relato,
este luar de saudades,
este tão velho retrato.

Uma canção que se ouve
pelo mar do sentimento,
como uma lágrima à toa
é levada pelo vento.

Uma forte tempestade
dentro do meu coração
levanta as ondas dormidas
duma perdida paixão.

Pelos ares da memória
e sem que exista motivo
transita o eco fatal
do que não tem mais olvido.

J. Martín (11-2-2017)

Absorto ante el amor




Absorto ante el amor
permanezco admirado,
del tono tan brillante de esa flor,
de tantas variedades que ha mostrado.

Es luz que purifica,
canción que hace vibrar al sentimiento,
incienso que perfuma y se disipa
por todo el estrellado firmamento;

vibrar ante los ojos de la amada,
encanto en el sentir,
pisar por una tierra inmaculada.

Amar es pues fluir
al son inmemorial de una balada
que de este mundo vil nos hace huir.

J. Martín (10-2-2017)

Absorto ante o amor



Absorto ante o amor
permaneço admirado
do viço esplendoroso dessa flor,
do signo misterioso do seu fado.

É luz que purifica,
canção que faz vibrar o sentimento,
incenso que perfuma e se dissipa
por toda a imensidão do firmamento;

vibrar perante a luz da bem amada,
encanto no sentir,
pisar por uma terra imaculada.

Amar é pois fluir
na música imortal duma balada
que deste mundo vil nos faz fugir.


J. Martín (10-2-2017)

miércoles, 8 de febrero de 2017

No tengo paraguas (bilingüe)




¿Dónde está la vida
que imaginé vivir?

Anda todo tan perdido:
aquella piel tan tersa,
aquel mirar sin miedos,
aquel encanto, aquella magia.

Ahora preciso ir al baño
con más frecuencia.
La próstata, tal vez.

¿Dónde está la vida
que imaginé vivir?

¿Dónde está ahora?

Decidí dar un paseo
por algún paraje entrañable, evocador,
en una tentativa de mitigar añoranzas,
pero en ese momento comenzó a llover
y no tengo paraguas.

* * * * *

Cadê a vida
que eu imaginei viver?

Anda tudo tão perdido:
aquela tão tersa pele,
aquele olhar sem medos,
aquele encanto, aquela magia!

Agora preciso ir ao banheiro
com mais frequência.
A próstata, talvez.

Cadê a vida
que eu imaginei viver?

Onde está ela agora?

Decidi dar um passeio
por algum recanto entranhável, evocador,
numa tentativa de matar saudades,
mas nesse instante começou a chover
e não tenho guarda-chuva.

J. Martín (8-2-2017)

martes, 7 de febrero de 2017

Vêm do norte, vêm do sul (bilingüe)



Vêm do norte, vêm do sul,
as aves sulcando os céus,
atravessando montanhas,
altas cumes, calmos rios,
planícies, desfiladeiros
e as ondas do imenso mar.

Vêm do norte, vêm do sul;
elas são irmãs do vento,
que as sustenta, quando passam,
nesse mágico momento.

Vêm do norte, vêm do sul,
as lembranças, os suspiros,
daqueles ventos perdidos.

*     *     *     *     *     *

Vienen del norte y del sur
las aves surcando el cielo,
atravesndo montañas,
altas crestas, calmos rios,
planicies, desfiladeros,
las olas del mar inmenso.

Vienen del norte y del sur
y son hermanas del viento,
del viento que las sustenta
en su mágico elemento.

Vienen del norte y del sur
los recuerdos, los suspiros,
de aquellos vientos perdidos

J. Martín (7-2-2017)

domingo, 5 de febrero de 2017

Lo que ha de ser de mi






Lo que ha de ser de mí no importa nada,
el celo de tu amor es mi presente;
la vida dura poco y acabada,
acaba el corazón que tanto siente,
el ánsia y la ilusión arrebatada,
el sueño luminoso y sorprendente;
por ello pido a Dios y pido al hado
partir después de mucho haberte amado.

*      *      *      *      *      *

O que será de mim importa nada,
sentir o teu amor é meu pressente;
a vida dura pouco e acabada,
acaba o coração que tanto sente,
o anelo e a ilusão arrebatada,
o sonho luminoso e surpreendente;
por isso peço aos céus e peço ao fado
partir depois de muito ter amado.

J. Martín (6-2-2017)

sábado, 4 de febrero de 2017

O TEMPO / EL TIEMPO






O TEMPO

O tempo está se esgotando.
Os dias cada vez ,
mais rápido passam.
As opções vão se esgotando.
Não sei mais o que fazer.
Vou tentando, ao meu Jeito,
como dá, fazer que
este tempo se prolongue.
Mas não estou conseguindo.
Oh DEUS! Que responsabilidade,
puseste-me aos ombros!
Devias ter algum propósito.
Sinto-me só meu PAI!
Lutando contra o inevitável.
O tempo está se esgotando...
Na ampulheta da vida,
o tempo escorre tão depressa!
Dai-me forças, SENHOR!
Tenho que me manter firme!
O tempo está se esgotando.
E eu estou só!
Tremendamente só!
Deste-me uma cruz,
que reconheço, posso carregá-la.
Sou capaz de suportar-lhe o peso.
Mas dói PAI! Dói demais PAI


EL TIEMPO

El tiempo se está agotando.
Los días pasan
cada vez más rápido.
Las opciones se van agotando.
Ya no sé qué más hacer.
Voy intentando, a mi manera,
como sea, hacer que
este tempo se prolongue.
Mas no lo estoy consiguiendo.
¡Oh DIOS! ¡Qué responsabilidad
cargaste sobre mis hombros!
Debías tener algún propósito.
¡Me siento sola, PADRE mío!
Luchando contra lo inevitable.
El tiempo se está agotando.
¡En el reloj de la vida
el tiempo corre tan deprisa!
¡Dame fuerzas, SEÑOR!
¡Tengo que mantenerme firme!
El tiempo se está agotando.
¡Y yo estoy sola!
¡Tremendamente sola!
Me diste una cruz
que confieso poder cargar.
Soy capaz de soportar el peso.
¡Pero duele, PADRE! Duele demasiado, PADRE.

Poema escrito y recitado por Maria Emilia Nascimento
Traducción: J. Martín


miércoles, 1 de febrero de 2017

CANT DE L’ENYOR (Lluís Llach)






CANT DE L’ENYOR (Lluís Llach)

Ni que només fos
per veure’t la claror dels ulls mirant el mar.
Ni que només fos
per sentir el frec d’una presència.
Ni que només fos
poder-nos dir un altre adéu serenament.

Ni que només fos
pel suau lliscar d’un temps perdut al teu costat.
Ni que només fos
recórrer junts el bell jardí del teu passat.
Ni que només fos
perquè sentissis com t’enyoro.
Ni que només fos
per riure junts la mort.

Ni que només fos
poder-nos dir un altre adéu serenament.
Ni que només fos
perquè sentissis com t’enyoro.
Ni que només fos
per riure junts la mort.


CANTO DA SAUDADE

Mesmo que fosse apenas
para ver a luz dos teus olhos fitando o mar.
Mesmo que fosse apenas
para sentir o toque de uma presença.
Mesmo que fosse apenas
para nos podermos dizer um outro adeus serenamente.

Mesmo que fosse apenas
pelo suave deslizar de um tempo perdido ao teu lado.
Mesmo que fosse apenas
para percorrermos juntos o belo jardim do teu passado.
Mesmo que fosse apenas
para que sentisses como te desejo.
Mesmo que fosse apenas
Para rirmos juntos até na morte.

Mesmo que fosse apenas
para nos poder dizer um outro adeus serenamente.
Mesmo que fosse apenas
para que sentisses como te desejo.
Mesmo que fosse apenas
Para rirmos juntos até na morte.




Recitado por Maria Emilia Nascimento
Traducción: J. Martín