domingo, 22 de abril de 2018

Ausência





A minha vida toda é apenas ausência,
É saudade infinita que não vai acabar,
É evocar noite e dia tua perdida presença,
O meu mundo perdido entre a terra e o mar.

Entre a terra e o mar, num lugar escondido
Que ninguém mais conhece mas que mora em mim,
Que por vezes aponta, dentre a névoa surgido,
Com suas lindas varandas: as que enfeita o jasmim.

Já nem sei onde estou, se estou morto ou se vivo;
Já nem sei quem eu sou, ou se a terra que piso
É do mundo real, onde moro cativo,
O meu belo jardim, meu gentil paraíso...

Entre sonhos, perdido, eu fiquei condenado
A evocar teu perfil, teu perfil bem amado!!

Não posso te esquecer




Não posso te esquecer porque tu és
Metade desta alma tão saudosa,
A lágrima que brota e que talvez
Faz imortal o brilho da tua rosa.

Não posso me esquecer da tua figura,
Do jeito de me olhares esse dia,
Instantes de prazer e de ventura
Que aquece uma lembrança fugidia.

Não posso te esquecer porque te amo
Num mundo bem amado que foi meu;
Com alma e coração é que te chamo
Porque este meu amor nunca morreu!

Porque este meu amor é infinito!
Ferido de saudades, como um grito!!

Ela não voltou




Nessa manhã clara
Ela foi chegando;
Negro o seu cabelo,
Seus olhos me olhando.

Nesse pôr de sol
Ela já passou,
Passou a alegria
Que nunca voltou.

Eu então fiquei
No mesmo lugar,
Por se alguma vez
Voltasse a passar.

Ela não voltou,
Mas fico esperando:
Olhos rasos d’água
Seus olhos lembrando!

Sua imagem querida
Não posso esquecer,
Pois sem sua lembrança
Prefiro morrer!

* * * * * * * *

Por la calle al sol
Mi Amor es quien viene,
Negros son sus ojos,
Pelo negro tiene.

Por la calle al sol
Mi Amor ya pasó;
Pasó la alegría
Que jamás volvió.

Allí me quedé,
En ese lugar,
Por si alguna vez
Volviera a pasar.

Ella no volvió,
Mas sigo esperando,
Ciego de añoranza
La estoy recordando.

Su imagen querida
Nunca olvidaré
Pues sin su recuerdo
Sé que moriré.

A carta




Na linda noite de abril,
Toda enfeitada de estrelas,
Chega a tua carta gentil
Cheia de estrofes tão belas.

Que longa noite de abril
Que nunca quer acabar!
Nem sua canção tão subtil,
Nem o tempo de sonhar!

De sonhar porque sonhando
Vive a alma desterrada,
Morta, triste e evocando
A minha perdida amada.

Mas agora ressuscito
Com a sua carta de amor:
Nas estrelas acredito!
As que canta o trovador!

*******

En esta noche de abril
Engalanada de estrellas,
Llega tu carta gentil
Llena de estrofas tan bellas.

¡Qué larga noche de abril
Que nunca quiere acabar!
Ni su canción tan sutil
Ni el tiempo de soñar.

De soñar porque soñando
vive el alma desterrada,
Muerta, triste, y evocando
A mi tan querida amada.

Mas ahora resucito
Con esta carta de amor,
Y en los astros acredito:
¡Los que canta el trovador!

Noite




Nesta noite no jardim,
As tímidas violetas
Batizadas de luar,
Choram saudosas e quietas.

A lua é uma feiticeira
Que enfeitiça e faz chorar,
Mostrando aqueles momentos
Que nunca vão regressar;

E nas noites sem luar
Há uma estrela que palpita,
Que ao longe me faz lembrar
Quão fugaz foi minha dita.

Tudo passa e tudo morre
Mas na noite sinto a medo
Como tortura a saudade
No meu terrível degredo.

martes, 10 de abril de 2018

Versos de amor





I

¡Ay mi Amor!, sin tu cariño
mis horas serán tortura,
donde evocar los momentos
de mi perdida ventura.

¡Ay mi Bien!, sin ti la vida
no tiene paz ni consuelos,
será triste sepultura
donde enterrar mis anhelos.

No me abandones, mi Cielo,
pues quedaré atormentado;
con certeza moriré
si tú no estás a mi lado.

¡Nunca, mi Amor, nunca, nunca,
nunca te alejes de mí,
pues dieron luz a mis ojos,
tu mirar, cuando te vi!

II

Ah, meu bem, longe de ti
As horas serão tormentos,
Onde torture a saudade,
Onde morem os lamentos!

Minha vida sem você
Faz que fique emudecida,
Numa charneca sem flor,
Minha canção mais querida.

Meu bem, nunca me abandones,
Pois nem quero imaginar
A cegueira dos meus olhos
Sem a luz do teu olhar.

Longe de ti, meu amor:
Poderia viver assim?
Desiludido do mundo!
Desencontrado de mim!

III

Un vendaval ha llegado
que me agita sin parar,
fustigando mis adentros
con locas ansias de amar.

De amar puesto que me embriaga
tu talle cuando te veo,
ése que inflama mi pecho
y que incendia mi deseo;

de amar porque me encadena
ese mirar que no mira
a este pobre desdichado
que sólo por ti suspira;

que es de tu ser, prisionero;
de tu desdén, el cautivo:
¡por amarte soy quien muero
y por soñarte, revivo!

IV

Um vendaval impensado
Estremece sem parar,
Excitando o coração
Com ânsia louca de amar.

De amar, posto que me embriaga
Teu vulto quando te vejo:
Esse que inflama o meu peito
E que acende o meu desejo;

De amar, mesmo que assim olhes,
Com olhar indiferente,
A este pobre namorado
Que tanto amor por ti sente.

Desolado languidesce
O meu coração cativo,
Pois longe de ti fenece,
E só de sonhar-te eu vivo!

viernes, 30 de marzo de 2018

Memória




Uma estranha melodia
perfuma com seu relato
nesta noite de luar
este tão velho retrato.

Uma canção que se ouve
pelo mar do sentimento,
como uma lágrima à toa
é levada pelo vento.

Uma forte tempestade
dentro do meu coração
levanta as ondas dormidas
duma perdida paixão.

Lá do fundo da memoria
ascende o eco imortal,
daquela vida vibrante
daquele mundo ancestral:

voltar lá é apenas sonho
que boia pelos instantes
de rubros amanheceres
de lampejos fulgurantes.